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Introdução
Do Equador à Guiné Equatorial, os países exportadores de petróleo mais pequenos estão a tornar-se alvos não apenas para os investidores, mas também para os geo-estrategas. Angola não é uma excepção. No entanto, como tantos outros casos controlados pelos petrodólares, Angola ilustra muitos dos sintomas do Estado rentier: a existência de políticos, empresários e accionistas que usufruem de montantes colossais nas suas contas bancárias enquanto os cidadãos comuns enfrentam défices colossais nos serviços públicos, meios de subsistência e governação legítima.
Este artigo oferece uma rápida leitura destes horizontes relativamente a Angola, nomeadamente:
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A competição internacional pelo petróleo e dinheiro angolanos está a intensificar-se; os europeus e americanos deixaram de ser os únicos competidores em jogo;
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A pobreza e a desigualdade projectam sombras enormes na vida do país; após quase 30 anos de guerra, o esperado “dividendo de paz” ainda está para chegar
à maioria dos cidadãos;
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Internamente, a posição da classe política angolana parece inquestionável, na medida em que controla poderes clientelistas enormes e não é confrontada
com uma oposição doméstica importante. É pouco provável que esta situação sofra alterações na ausência de qualquer estrato/camada social que sirva de contrabalanço, tal como o que pode emergir do comércio ou produção agrária;
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Externamente, a posição da indústria do petróleo dálhe capacidade de influência. No entanto, é pouco provável que se use esse poder para alcançar transparência e normas democráticas sem a existência de uma pressão pública internacional. Levar as empresas da indústria do petróleo (petroleiras) a comportarem-
se como cidadãos globais não é impossível. Existem algumas iniciativas globais que sugerem caminhos exequíveis, mas necessitam de muito mais apoio político e implementação profissional – ambas dimensões inexistentes hoje em dia na gestão da economia global.
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Deste modo, Angola coloca desafios de democratização e emancipação da pobreza, não só ao nível nacional mas também ao nível de uma governação responsável
e aberta ao nível global.
Angola tem sido profundamente marcada pelas suas relações externas. Este artigo procura situar as tendências locais num contexto de poderes e fluxos globais,
especialmente os relacionados com o petróleo e os seus enormes rendimentos – as riquezas que têm gerado guerra, corrupcão e pobreza.
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